Uma ressurgência da al-Qaeda em África

Um excelente intelligence brief do The Soufan Group sobre a ressurgência da al-Qaeda em África:

(tradução não oficial e com ligeiras alterações)

Encontrou na África Ocidental uma região onde pode superar a concorrência, em termos de influência, do auto-proclamado Estado islâmico. As actividades da Al-Qaeda na África Ocidental garantem ao grupo publicidade que, por sua vez, lhe permite manter influência noutras partes do mundo, quer seja nas regiões adjacentes do Norte de Africa – onde a liderança da Al-Qaeda tem encontrado dificuldades em manter a lealdade dos extremistas mais jovens – ou na África Oriental, onde o seu afiliado al-Shabaab teme vir a perder muitos dos seus soldados caso o Estado islâmico venha a estabelecer aí uma forte presença. Um anúncio recente por parte do Estado Islâmico dirigiu acusações ao al-Shabaab de matar e prender centenas dos seus apoiantes e, por outro lado, o al-Shabaab organizou recentemente uma campanha militar para erradicar os últimos resquícios de um grupo dissidente que declarou lealdade ao Estado islâmico na região semi-autónoma de Puntland.

A AQMI [Al-Qaeda no Magrebe Islâmico] deu um também importante sinal [dos seus objectivos] por meio dos seus ataques na África Ocidental: que é um grupo unido. Divisões anteriores que resultaram de desentendimentos entre o leader da AQMI no norte da Argélia, Abdelmalek Droukdel, e o seu tenente rebelde no Saara, Mokhtar Belmokhtar – que estabeleceu o seu próprio grupo afiliado à al-Qaeda, o al-Mourabitoun, em 2013 – enfraqueceu o movimento. Contudo, a AQMI anunciou que os dois grupos se reuniram aquando de terem chamado a si o crédito pelo ataque ao Radisson Blu [no Mali], sendo que os grupos fizeram declarações conjuntas de responsabilidade pelas operações subsequentes. Com uma fonte estável e garantida de recrutas locais e abundância de armas oriundas de armazéns pilhados na Líbia, é provável que a AQMI continue a sua ressurgência até que forças locais – com apoio internacional – descubram uma forma de a conter e derrotar.

Documento completo acessível aqui.

Sobre Gustavo Plácido

An independent political and security risk analyst focused on Lusophone Sub-Saharan Africa. He covers Angola and Mozambique for Horizon Client Access.
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