Israel procura aliados e oportunidades em África

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EPA/AMIR COHEN/POOL

Quatro décadas após a morte do seu irmão durante uma operação de resgate no Uganda – Operacao Entebbe -, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu prepara-se para embarcar numa missão de charme ao continente africano.

Não obstante o itinerário ser ainda desconhecido, Netanyahu disse ter aceite convites de lideres africanos, incluindo do presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, país com quem Israel mantém laços fortes.

A visita do primeiro-ministro israelita enquadra-se num contexto internacional em que os países africanos se têm vindo a afirmar económica e politicamente. Ora, Israel pretende cativar o apoio político-diplomático desses países nos fóruns internacionais – como a ONU -, nos quais tem enfrentado uma forte oposição e condenação, em larga medida devido a questão da Palestina (“ocupação” da Cisjordânia e o bloqueio da faixa de Gaza).

A isto acresce as oportunidades económicas e financeiras que o continente africano apresenta. As impressionantes taxas de crescimento e o potencial da região apresentam-na como altamente atractiva para as empresas israelitas.

Importa ainda notar os benefícios que o os países africanos poderão extrair em domínios onde Israel apresenta vastos conhecimentos, tal como tecnologias relativas ao aproveitamento da agua, bem como no domínio da agricultura, das telecomunicações, das energias renováveis e das infraestruturas.

Por outro lado, Israel apresenta valências de elevado potencial num contexto em que o extremismo islâmico gera necessidades de aquisição de tecnologia de defesa avançada e de know-how em termos militares, de segurança e de inteligência/intelligence.

De facto, Israel poderá dar um contributo importante nas campanhas anti-insurgência ao longo da região do Sahel, nomeadamente no que respeita ao Boko Haram, Al-Shabaab, Al-Qaeda e Daesh (Estado Islâmico).

Esperemos pela definição final do itinerário da missão de charme de Netanyahu. Podemos, no entanto, especular.

Para além do Quénia, também a África do Sul, Angola, Etiópia e Nigéria e  se apresentam como potenciais destinos. As relações israelitas com estes países têm vindo a ser aprofundadas, nomeadamente no domínio da defesa e segurança. Ora, as necessidades de estabilização nacional e regional exigem um ainda maior grau de aprofundamento.

Tudo aponta para que tal se materialize. Veremos.

Importa ainda ter em linha de conta que uma maior presença e influencia israelita no continente africano gerará muito provavelmente ondas de choque, nomeadamente no sentido das potencias do Médio Oriente – Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Irão -, as quais têm também vindo a virar as suas atenções para o continente africano. Seguramente que estas olharão para a presença israelita com desconfiança e, mais importante ainda, como uma ameaça aos seus interesses.

Sobre Gustavo Plácido

An independent political and security risk analyst focused on Lusophone Sub-Saharan Africa. He covers Angola and Mozambique for Horizon Client Access.
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