Boko Haram usa novo esquema para atrair jovens

boko+haram(R)É um facto bem conhecido que a pobreza, corrupção endémica, gestão ineficiente ao nível local e poucas perspectivas de futuro (entre outros) funcionam como motivações fundamentais para a adesão de jovens a grupos extremistas. Este é o caso do Boko Haram – activo no nordeste da Nigéria e países adjacentes – que desde 2010 tem visto as suas fileiras crescer de uma forma significativa, resultando numa maior capacidade operacional.

É também sabido que o Boko Haram tem garantido serviços públicos à população das regiões onde exerce controlo, o que lhe permite assegurar maior um nível de apoio e, não menos importante, “legitimar” a cobrança de impostos.

De acordo com a organização não-governamental norte-americana Mercy Corps, o Boko Haram tem optado por uma nova abordagem para aumentar as suas fileiras. Ao conceder ou prometer capital e empréstimos a jovens empreendedores e empresários para impulsionar os seus negócios, no nordeste da Nigéria, o grupo assegura uma fonte adicional de capital humano.

Sendo a região mais pobre e menos desenvolvida da Nigéria, onde três quartos da população vive em pobreza absoluta, ou menos de 1 Dólar por dia, e onde a presença do Estado é mínima, ou mesmo nula, percebe-se que muitos jovens nigerianos considerem que uma das poucas maneiras de sair da pobreza seja ter sucesso em negócios. O Boko Haram tem plena noção disso mesmo.

Ora, o Mercy Corps diz que o apoio que o Boko Haram garante a esses negócios não passa de uma armadilha, na medida em que aqueles que não conseguem amortizar os empréstimos são forçados a escolher entre juntar-se aos militantes ou ser mortos.

Não obstante os relatórios das ONGs serem muitas vezes duvidosos, esta estratégia não deixa de ser inteligente e perspicaz. Tendo em conta que começar um negócio nesta região implica ter o apoio de “padrinhos” com forte peso politico e económico – em termos de capital e transferências de dinheiro -, o Boko Haram tem no financiamento, ou promessa de, uma forte ferramenta para atrais os jovens Nigerianos e, desse modo, alargar e reforçar as suas fileiras.

Mais uma vez, contrariar esta tendência implica que os governos locais e central apostem no desenvolvimento de uma região que foi em larga medida ignorada desde há décadas. Obviamente que tal não é uma panaceia para resolver a questão do Boko Haram e do extremismo violento na Nigéria. Há, no entanto, a necessidade de colocar em prática uma abordagem multidisciplinar que abranja os domínios económico, social e militar.

 

 

Sobre Gustavo Plácido

An independent political and security risk analyst focused on Lusophone Sub-Saharan Africa. He covers Angola and Mozambique for Horizon Client Access.
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