Como podem os países africanos combater a ameaça terrorista? Tendências contemporâneas num terreno em mudança

indexIntegrado nas comemorações dos 20 anos do Curso de Relações Internacionais, decorreu no dia 25 de Maio a Conferência “Como podem os países africanos combater a ameaça terrorista? Tendências contemporâneas num terreno em mudança”, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Em resumo, aqui ficam sínteses das comunicações apresentadas, bem como as apresentações integrais:

Luis Bernardino:

“O papel das Instituições de segurança no combate ao terrorismo em África”

O terrorismo é um dos problemas atuais que mais preocupa os Estados e as Organizações Internacionais, pois a prevalência e gravidade dos seus efeitos enfraqueceu as sociedades e tornou-as menos disponíveis para a paz e para alcançarem o desenvolvimento sustentado. Em África, esta realidade conjuntural tem conduzido os Estados, e cada vez mais, as Organizações Regionais Africanas, a desenvolverem mecanismos de alerta, de resposta e a criarem estruturas de apoio às estratégias pós-conflito no propósito de recuperar as sociedades deste flagelo e regionalmente, desenvolverem capacidades que possibilitem uma melhor intervenção.

Esta problemática obriga-nos a uma reflexão multidimensional e multidisciplinar, pois o terrorismo é atualmente em fenómeno transfronteiriço e atemporal, em que as fronteiras não limitam as causas nem as consequências. Neste paradigma inovador, as Organizações Regionais Africanas têm vindo a assumir um maior protagonismo na operacionalização da Arquitetura de Paz e Segurança Africana, como sistema securitário e mecanismo proactivo de resposta às crises regionais e no combate ao terrorismo.

O combate ao terrorismo em África, assume-se desta forma como um dos principais dilemas para os Estados e Organizações Regionais, que cooperam estrategicamente no intuito de prevenir as ameaças que afetam os seus espaços soberanos, quer seja em terra e especialmente no mar, nomeadamente no combate à pirataria e ao trafego de armas e pessoas. Neste contexto, a presente reflexão académica pretende trazer para a discussão a questão da gestão dos conflitos, da conflitualidade e do terrorismo em África e apresentar possíveis soluções estratégicas para esta problemática que se constitui num problema atual para os Estados e para as Organizações Regionais Africanas.

Apresentação Power Point: RI20_Coimbra_TCor LuisBernardino_25Mai2016

Gustavo Plácido dos Santos:

“A ameaça do terrorismo na África subsariana”

Em anos recentes, os Estados da África subsariana e das suas zonas fronteiriças com o Norte de África e Sahel têm estado debaixo dos holofotes internacionais por força de uma ameaça sem precendentes à sua ordem política e social, bem como à sua integridade. Não obstante a existência prévia na região de grupos que usam actos terroristas para fins políticos, esta nova ameaça difere no sentido de que é transnacional e que instrumentaliza a religião como uma arma poderosa para difundir a mensagem e atrair militantes.

Ora, tendo isto em conta, urge analisar os principais grupos/organizações terroristas que estão por detrás deste novo fenómeno, particularmente quem são, quais as suas motivações e objectivos, bem como o que proporcionou uma expansão tão rápida e, de certo modo, imparável, nesta parte do mundo.

Não querendo ficar por aqui, abordarei as iniciativas nacionais, regionais e internacionais que visam eliminar ou, mais realisticamente, conter estas ameaças.

Desde o Boko Haram, passando pelo risco de ‘spill-over’ regional e pela competição jihadista, pretendo expôr uma perspectiva geral sobre este assunto e abrir caminho para um debate construtivo.

Apresentação Power Point: A ameaça do terrorismo na África subsariana

Raúl Braga Pires:

“O Islão como processo e o Magrebe atual: Considerações sobre a inexistência de muçulmanos moderados”

Ver o Islão como um processo, com avanços e recuos, é entendê-lo a partir do interior da Madrassa, da Mesquita, da família, cuja narrativa, códigos e fins a atingir condicionam o indivíduo de tal forma, cujo termo “moderado”, não mais é que um eufemismo, para, numa perspectiva quase colonial, o identificarmos como assimilado, domesticado qb e disponível para conversar/negociar com o Homem Branco sem aspas e, num mesmo patamar de igualdade. A construção do “moderado”, obedece assim à necessidade de criação de um interlocutor válido e aceite por quem se encontra deste lado do charco.

Tendo a Líbia como ponto de partida, será também feito um ponto de situação actual neste país e de como o mesmo influência regionalmente todo o norte de África, Sahel e África subsaariana.

Apresentação :

Sobre Gustavo Plácido

An independent political and security risk analyst focused on Lusophone Sub-Saharan Africa. He covers Angola and Mozambique for Horizon Client Access.
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