Tropas da Amisom com redução salarial devido a cortes da UE

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As tropas da União Africana (UA) na Somália não recebem os devidos subsídios salariais há mais de cinco meses, resultado dos cortes de financiamento da União Europeia. Na segunda-feira (27 de Junho), a UE disse que não libertou fundos para a Missão da União Africana na Somália (Amisom) devido a complexos processos de aprovação resultantes de restrições orçamentais.

No inicio de 2016, a UE cortou esse financiamento em 20 por cento, alegando restrições orçamentais e novas necessidades de segurança.

Nas palavras de Gary Quince, chefe da delegação da UE na UA:

“Os cortes no financiamento significa que existe uma carência, o que tem atrasado as aprovações necessárias à disponibilização do dinheiro”.

A UE é o maior financiador da Amisom, tendo alocado 1,2 mil milhões de euros desde 2007. Metade desse valor, 575 milhões de euros, é usado para cobrir os subsídios das forças presentes no terreno, custos associados à componente policial da missão, bem como os salários do pessoal civil internacional e nacional.

Um soldados da Amisom recebe 1.028 dólares por mês. No case das Forças de Defesa do Kenya, o governo de Nairobi desconta uma taxa administrativa de 200 dólares, o que significa que cada militar leva para casa 828 dólares.

Ora,

Quando a UE cortou o orçamento em 20 por cento, cada soldado perdeu cerca de 160 dólares, afectando operações.

Circulam rumores de que o atraso na alocação de financiamento para cobrir essas necessidades poderá estar relacionado, não tanto com cortes orçamentais da UE, mas mais com a percepção de falta de responsabilização (accountability) pela Amisom, nomeadamente no que respeita à aplicação desses montantes.

Caso para dizer que a prerrogativa “soluções africanas para problemas africanos” mantém-se no domínio teórico, dada a óbvia dependência externa e pouca credibilidade de uma missão tão importante para a estabilização regional como é a Amisom.

Sobre Gustavo Plácido

An independent political and security risk analyst focused on Lusophone Sub-Saharan Africa. He covers Angola and Mozambique for Horizon Client Access.
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