Gâmbia: CEDEAO dá prazo, sob mediação final, a Jammeh para sair

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(imagem retirada da Internet)

Ontem era o dia “D” para que Yahya Jammeh entregasse a Adama Barrow a presidência perdida nas eleições de Dezembro. Não só não cumpriu, como levou o Parlamento a prorrogar o seu mandato.

A intransigência de Jammeh levou que ontem Barrow tenha sido forçado a prestar juramento, como Presidente, na embaixada d’ A Gâmbia, no Senegal.

O eleitoralmente derrotado presidente, Jammeh, estava ameaçado, pela CEDEAO, de ser retirado à força do palácio presidencial, caso não reconhecesse a legitimidade constitucional que, ele próprio, no dia da publicação dos resultados já tinha feito: reconhecimento da derrota eleitoral.

Não só não quis responder positivamente às tentativas de mediação (de Marrocos, Mauritânia e até da Nigéria) para sair airosamente do embaraço constitucional que tinha criado, como colocou o país em estado de alerta e em estado de emergência; considerava-se pronto para fazer frente a qualquer intervenção armada que entrasse no País.

As 24 horas de 19 de Janeiro eram o “time line” para Jammeh sair.

Entretanto, navios nigerianos encontravam-se no limiar das águas territoriais gambianas; aviões nigerianos, durante parte da noite, sobrevoaram a capital Banjul. O exército senegalês estava em situação de prontidão, junto das fronteiras gambianas. A CEDEAO tinha prometido intervenção armada, caso o prazo não fosse cumprido.

Às 00 horas de 20 de Janeiro, as forças conjuntas do Senegal – que, entretanto, já tinha efectuado algumas entradas em território gambiano –, Gana, Mali, Togo e Nigéria, sob a coordenação da CEDEAO e o apoio da ONU, desencadeou a operação «Restaurer la démocratie» e invadiu o território gambiano.

Apesar de, ainda que há uns dias o Chefe do Estado-maior do exército gambiano, general Ousmane Badji tivesse afirmado a sua lealdade a Jammeh, ontem, e na linha do solicitado pelo recém-empossado presidente Barrow, ontem Badji optou por declarar neutralidade política do exército e que não iria afrontar outros exércitos africanos.

Ora, sabendo que este não se iria engajar na questão política, as forças conjuntas da CEDEAO facilmente entraram n’ A Gâmbia.- Não esquecer que o exército gambiano tem cerca de 900 soldados, enquanto a força conjunta parece ter cerca de 3000 elemento.

A facilidade com que a força conjunta da CEDEAO entraram n’ A Gâmbia levou a organização regional declarar a suspensão das operações até às 12 horas de hoje, para uma última tentativa de mediação junto do presidente cessante.

Vamos esperar o resultado e ver se a situação constitucional no pequeno estado istmado dentro do Senegal se regulariza sem derrame desnecessário de sangue inocente.

É oportuno que a UA, a ONU e as organizações regionais comecem a ter mais atenção para os casos flagrantes de violações constitucionais e de Direitos Humanos no Continente.

Só que essa atitude deveria ser para com todos os Estados para que não haja alguns mais Estados que outros (recordemos de um, muito próximo, onde os problemas constitucionais são flagrantes, onde tem havido mediações, e as violações persistem).

Veremos, também, se o fim deste conflito político, com ramificações militares, não irá desencadear uma maior disputa de poder regional entre a potência francófona (Senegal) e anglófona (Nigéria) para domínio da região. De um lado a Commonwealth, com os ingleses – ainda que preocupados com o Brexit – atentos à questão, do outro a França (Quai d’Orsay) pronta para apoiar toda e qualquer potenciação que a Franquafrique possa solidificar.

Enquanto isso, a Lusofonia vai vendo como a situação de desenrola. Como recorda o investigador, e nosso colega, Raúl Braga Pires, a proximidade geográfica da Guiné-Bissau, também membro da CEDEAO, bem como as ligações étnicas e tribais, podem levar os issau-guineenses serem arrastado para este potencial conflito se Jammeh decidir trazer de volta ao primeiro plano Senegâmbia; através do qual a Gâmbia luta para anexar parte dos territórios do sul do Senegal (Casamance) e alguns dos do norte da Guiné-Bissau.

Fonte: Le Monde; blogue MAGHREB-MACHREK – Olhares Luso-Marroquinos;

Sobre Eugenio C Almeida

Investigador Associado do CINAMIL (Academia Militar) e Investigador Integrado do CEI-IUl (ISCTE-IUL) - Mais, ver http://elcalmeida.net
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